O tema principal do livro é a organização de uma expedição de mercenários para depor o ditador de uma nova república africana que governava tiranicamente o seu povo, não porque houvesse qualquer idealismo ou qualquer espírito de cruzada da parte dos mercenários ou dos seus financiadores, mas apenas porque no território do país havia ricas jazidas cuja concessão da exploração era preciso obter de um governo mais benévolo do que o do déspota africano. E é assim que o autor nos faz penetrar na intimidade de vários mundos em episódios que trazem tão minuciosamente impresso o selo da verdade que não se pode acreditar que tudo seja inteiramente ficção. Em primeiro lugar, o mundo dos altos negócios, cujos agentes principais não recuam diante das manobras mais torpes para conseguir os seus fins, que se resumem numa fome insaciável de mais dinheiro e mais empresas; depois o meio bancário internacional, na Suíça, na Bélgica ou em Luxemburgo, cujas atividades secretas e quase sempre tortuosas são expostas implacavelmente; há ainda o mundo do equívoco dos vendedores e contrabandistas de armas e, por fim, o meio mercenário, difícil de compreender e aceitar até ouvir-se um deles dizer: "Nunca foi apenas pelo dinheiro".